domingo, julho 30, 2006

"Faça amor,não faça a guerra..."

Quem nasceu entre 1946 e 1954, estava, em 1968, no auge da juventude, época da revolução da contra-cultura, do protesto (Levante de Paris, Festival de Woodstock, Passeata na Candelária, Marcha sobre Washimgton), dos hippies, da Era de Aquários, etc.
Tínhamos certeza que íamos mudar o mundo. Definitivamente. Sob o manto negro da guerra fria, o pacifismo e a liberdade eram a palavra-de-ordem: contra as ditaduras, contra o Vietnã, pela liberdade de expressão, pelo “amor-livre”, etc.
Quem viveu aqueles turbulentos, maravilhosos e inacreditáveis anos, tem hoje 50 a 60 anos. Está no auge do poder e do sucesso sócio-econômico-político-profissional (menos eu, que “já era”).
E o que estamos fazendo? Como está o mundo sob nossa responsabilidade?
Corrupção política, invasão do tráfico, aquecimento global, devastação ambiental, desequilíbrio econômico, guerras, terrorismo, e capitalismo selvagem são marcas registradas da atualidade.
Fracassamos, lamentavelmente, fracassamos.
Mesmo como pais, olhos para meus filhos – saudáveis, inteligentes, simpáticos, íntegros – e vejo pouco de mim. Eles são vencedores não por minha causa, mas apesar de mim.
Mas, pelo menos quando jovens, tínhamos algo a conquistar. Dizíamos “sejamos realistas, peçamos o impossível” (slogan do revolta estudantil de Paris, em 1968); “faça amor, não faça a guerra” (slogan dos movimento hippie); “abaixo a ditadura!” (slogan do movimento estudantil brasileiro).
Hoje os jovens tem um slogan. É “cada um por si, e Deus, sabe-se lá...” Não há ideal, valor, propósito pelo qual viver. Quando há, é o auto-sacrifício inútil, morrendo e matando em função de um fanatismo irracional e impiedoso.
Dominam os “buches” – neologismo por mim inventado agora para designar “idiotas que detém o poder econômico e/ou político” – capitaneados pelo “próprio” no exterior e pelos “300 picaretas com anel de doutor” em nosso país.
E cada vez menos se vê alguma luz no fim do túnel. Conseguimos não nos destruir pelas armas atômicas no séc. 20, mas vamos ser destruídos pela “vingança” ambiental no séc. 21– vingança essa já visível em todo lugar, basta ler os jornais.
Só resta espaço para a esperança, esta nunca morre. A esperança de que o idealismo ausente nos jovens, hoje, se manifeste quando tiverem 40, 50 anos de idade, e façam a coisa certa. Quem sabe ainda haverá uma chance para esta pobre humanidade

3 comentários:

Marina Franco Camargo disse...

Boa noite, fiquei sabendo do seu blog através de um comentário seu deixado no blog da Soninha e resolvi dar uma olhada.
Infelizmente- ou felizmente- tenho que discordar do senhor.
Há sim uma possível omissão de esperança e falta de atitude revolucionária nos jovens de hj. Por parte triste e melancólica, por outra completamente compreensível. Olhe ao redor.. Olhe o país e o mundo em que fomos criados.. Fomos criados entre disputas políticas, econômicas, ideológicas.. O mais triste, ressalto, é a imposição cultural sobre a vida das pessoas.. E essa - a cultura - talvez seja o único patrimônio não deteriorizável do ser humano...
Existem jovens hj em dia com esperança, com gana de mudança e com vontade de que, de fato, ela aconteça? Claro que existem... E eu digo que sou exemplo e luto a cada dia pra que isso aconteça... luto no meu interior e aos poucos faço com q isso seja erradiado.. Porém, voltando ao que já citei, em um país com tanta desordem e regresso é "broxante" (desculpe-me a palavra, não consegui imaginar nada melhor!) querer fazer algo para melhorar o que talvez nem a esperança salve.. Mas enquanto estudo, enquanto luto pela minha cultura e pelo mínimo de direitos que ainda consigo ter na prática não desisto.
Espero que me tenha feito entender...
No mais, parabéns pelo site... Vou virar leitora assídua!!
Grande abraço.

Rubinho Osório disse...

Marina,
Obrigado por resrvar tempo para ler meus posts.
Eu, realmente, não me sinto dono da verdade e posso, sim, estar redondamente enganado
Generalizar é cometer injustiça "a priori".
Há, é verdade, muito engajamento de jovens em muitas boas causas. É preciso reconhecer que o número deles é pequeno se comparado aos que "não estão nem aí". E que os efeitos desse engajamento são pouco visíveis,se comparado com o estardalhaço dos movimentos dos anos 60, não é?
Mas tenho esperança, reforçada pelo teu comentário. Fez-me muito bem.
Obrigado!!!

Beatriz Provasi disse...

Oi Rubinho,
Cheguei ao seu blogue muito por acaso, pesquisando no google o slogan "faça amor, não faça guerra", pra usar a origem exata num texto. Gostei do que li e quero convidá-lo ao meu: www.numanoitequalquer.blogspot.com . Estou entre os raros jovens idealistas que ainda existem no mundo. Mas sim, eles existem! Sou poeta. E o mundo seria melhor se em vez de armas, as pessoas produzissem mais poesia...
Beijos,
Bia