terça-feira, outubro 02, 2007

Ctrl+C, Ctrl+V

Pergunto à balconista se a loja tem tal produ­to. Ela diz: "não tem". Pergunto ao eletricista se dá para colocar urna tomada extra junto à gela­deira. Ele diz: "não dá". Pergunto ao advogado se tal coisa pode ser feita. Ele diz: "não pode".
Já recebi muitos "não tem”, “não dá” e “não pode" que tinham, davam e podiam. De preguiça de procurar o produto no estoque, o balconista diz que não tem. De preguiça de subir no forro e puxar a dita tomada, o eletricista diz que não dá, que a rede não suporta a carga. De preguiça de consultar a jurisprudência, o advogado diz que não pode. Se batermos o pé, vemos que não era bem assim. "Ter, tem", me disse o balconista, "mas está lá no alto...". "Que dá, dá", me disse o eletricista, "mas seu forro é alto demais". "Poder, pode", me disse o advogado, "mas eu não conheço bem a legislação trabalhista".
Todas as vezes que alguém lhe disser não tem, não dá e não pode, desconfie e confira. Pergunte novamen­te, insista e você verá que muitas vezes tem, dá e pode.
A maneira mais fácil de fugir de urna respon­sabilidade ou de um serviço é dizer “não”. E você conhece as dezenas de variantes desses "não tem, não dá e não pode". É a secretária que diz que já ligou centenas de vezes e não encontrou a pessoa. É o motorista que diz que não dá tempo de fazer a entrega naquele dia. É o médico que afirma que isso é caso de cirurgia e não tem outro jeito. Será?
É sempre mais fácil dizer não tem, não dá, não pode, assim como os famosos não sei, não vi, não conheço, não estava lá, não é da minha área.
Será que não estamos sendo vítimas de pes­soas pouco comprometidas em solucionar nossos problemas, simplesmente dizendo não tem, não dá, não pode? Será que em nossa própria empresa isso acontece? Será que nós próprios não dizemos não tem, não dá, não pode, quando o tem, o dá e o pode exigem um pouco de trabalho e um comprometi­mento extra?
Pense nisso. Sucesso!

Luiz de Almeida Marins, na revista da TAM Magazine, agosto de 2007.

Um comentário:

Lou Mello disse...

Tive uma pequena discussão com um motorista de ônibus em S. Paulo, hoje. Estávamos na Estação Vila Mariana do Metrô e a mulher perguntou-lhe se ele sabia onde era a Rua Vergueiro. Ele disse que não sabia. Para quem conhece o pedaço, a rua Vergueiro é o primeiro cruzamento por onde aquele ônibus passa ao sair daquela estação. Ele ainda acrescentou que não tinha tempo para ficar dando informações para essas velhas que só enchem o saco.