terça-feira, fevereiro 27, 2007

Sem saída

Somos todos egoístas, inevitavelmente, egoístas? Mesmo aqueles que demonstram alto grau de solidariedade e altruísmo, não estarão apenas fazendo aquilo que acham ser o melhor pra si mesmos? Há saída para este dilema?
Meu filho - lendo Nietzsche - e o Brabo - com aquele papo de "Amizade, ego e blogagem" - me deixaram com a pulga atrás da orelha. Nem uma boa discussão com a Elaine e o Rica me deixou mais tranquilo.
Alguma luz?

3 comentários:

Paulo Brabo disse...

Sim, Rubens, somos todos egoístas, e num certo sentido essa condição é inelutável e inescapável. A única coisa pior do que descobrir isso, na minha opinião, seria passar pela vida na ilusão de que não somos assim tão maus.

Deixados à mercê das nossas próprias inclinações e recursos, só saudamos os nossos amigos, só fazemos o bem aos que amamos, e nosso mérito é proporcionalmente nenhum.

Não há também, infelizmente, uma "macrosalvação" para o egoísmo - o que há é um certo número de microsalvamentos, que são apenas tão numerosos quanto permitimos que sejam. Esta é uma salvação que se exerce, e não se recebe; é trilhada, não chega num pacote; é vestida, mas não penetra muito abaixo da pele.

Rubinho Osório disse...

Pois é, Paulo. Só espero que esta constatação não leve as pessoas a jogar tudo pro alto e desistir de qualquer tentativa de ser e agir positivamente (teus tais microsalvamentos).
Afinal, "meu compromisso é com o esforço, não com o resultado".
E a vida é de graça, mas temos que pagar o preço da Graça...

Lou Mello disse...

Jesus pensava algo assim quando disse que amar aos inimigos é que era o barato. O problema da salvação é que ela é meio injusta, pois os egoistas podem ser salvos, também.