quarta-feira, fevereiro 28, 2007
As 100+, atualização
Gostei das listas, especialmente da internacional - tem músicas bem variadas e algumas preciosidades, como Billie Holiday cantando "Solitude", ou Nicola di Bari cantando "Il mondo gira", última música de Luigi Tenco antes suicidar-se. Além dos Beatles, claro, sempre impressionantes.
A lista de nacionais ressalta minha ligação emocional com os tempos da resistência à ditadura, com a presença de "Cálice", do Gil e Chico ou "Aos nossos filhos", do Ivan Lins. Mas tem também a presença de coisas lindas e poéticas como "Paraty", de Nonato Luiz, ou "Mais simples" de J. M. Wisnick.
Aos poucos irei postando as músicas em pequenas listas aqui e disponibilizando-as no Boxnet pra quem quiser ouvir.
Música... colírio d'alma
São músicas que fui coletando à medida que fazia minha lista das "100+", lembram-se? Cada uma tem uma razão para fazer parte da lista: beleza da melodia, relevância da letra, qualidade dos instrumentistas ou vocais, pessoa ou acontecimento que a música me faz recordar, momento pessoal, contexto político-social, etc. Todas evocam em mim um sentimento especial que as tornam distintas de tantas outras - que também gosto - e, por isso, fazem parte da lista.
Espero que apreciem.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
O Oscar
Meu cunhado me disse que "Cartas de Iwo Jima" é um belo filme. Ultimamente tenho olhado Clint Eastwood com o misto de admiração e respeito que tinha por Paul Newman. De repente, posso até opinar pelo injusto esquecimento de premiá-lo.
Mas "Babel" tem lá suas qualidades. Faz você pensar sobre a transitoriedade e fragilidade da vida e dos relacionamentos que a mantém. Porque, no fundo, o que nos mantém vivos é essa intricada, frustrante, e inexplicável rede de relacionamentos - familiares, sociais, profissionais, afetivos e geográficos - que cultivamos e mantemos durante a vida. E como essa rede é frágil!!! É como se uma teia de aranha sustentasse um elefante. "E foram chamar outro elefante..."
É isso.
Sem saída
Meu filho - lendo Nietzsche - e o Brabo - com aquele papo de "Amizade, ego e blogagem" - me deixaram com a pulga atrás da orelha. Nem uma boa discussão com a Elaine e o Rica me deixou mais tranquilo.
Alguma luz?
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Ctrl C + Ctrl V
Das que li nestes dias, ressalto duas de "Frank & Ernest", craques da fina ironia:
"- Sei muito bem qual é a chave do sucesso" - diz Frank - "o problema é que ela não entra na minha fechadura"
Frank, lendo jornal, comenta: "Aqui diz que o discurso do presidente foi 'uma obra-prima de eloquência política'."
Ao que Ernest responde: "É verdade, ele não disse nada..."
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Ctrl C + Ctrl V
“É minha convicção de que somos todos – individualmente, já que coletivamente nada acontece – culpados dessa violência secreta que desconstrói eficientemente a humanidade de crianças, mulheres e homens.”
Paulo Brabo, em “Em câmara lenta”, no Bacia das Almas de 16/02/2007.
Assino, envergonhado e constrangido, embaixo.quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Ctrl C + Ctrl V
A Miséria Maior
“O erro dos que desejam acabar com a miséria é achar que ela está do "lado de fora" de nossa vida, do "lado de fora" dos aparelhos do Estado, de nossa vida social.
A miséria não é um objeto, um fenômeno a ser resolvido lá fora, nos morros, na periferia... A miséria é a ponta suja de nossa miséria maior.
Nós fazemos parte dela, a miséria está até na maneira como a vemos. Não existe um mundo limpo e outro sujo. Um infecta o outro. A burocracia é miséria, corrupção é miséria, a estupidez brasileira é miséria.
A miséria mental já invadiu a Câmara dos Deputados. A miséria moral rouba bilhões dos miseráveis. A miséria não está nas periferias e favelas; está no centro de nossa vida brasileira.
Somos uns miseráveis cercados de miseráveis por todos os lados.”
Arnaldo Jabor, citado por R. Gondim
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Contradição
Ricardo Semler - se você não sabe quem é, coloque o nome dele no Google... - afirmou numa entrevista à revista Você S.A. de 2003: "Se me perguntarem onde a Semco (empresa dele) vai estar daqui a 5 anos, digo que não interessa. Eu quero saber é como ela vai chegar lá."
Minha formação cristã me deixa incomodado com a primeira e entusiasmado com a segunda. O povo escolhido por Deus sempre esteve "a caminho". Os desafios foram sempre "como caminhar". A Terra Prometida, a Nova Jerusalém, o Paraíso, os Céus, enfim tudo o que conceitua o "onde" sempre ficou por conta do Senhor Deus. Ao povo sempre coube cuidar das atitudes e comportamentos enquanto caminha. E Jesus só ensinou isso.
Tenho tentado viver assim. Alguns acham que na minha idade (55) e com minha experiência e formação, eu já deveria ter alcançado alguma coisa mais na vida (sucesso, bens, status, poder). Prefiro não examinar onde cheguei, mas como. Se o que fiz foi honrado, justo, generoso, dedicado e sincero, então estou onde devia estar e cheguei onde devia chegar. Caso contrário, nada do que consegui (e consegui muito) tem valor algum.
Tecnicamente, os meios são importantes, o processo é fundamental. A validade dos fins e do produto depende essencialmente do como foram alcançados. A ponto de não interessar se o objetivo foi ou não alcançado.
O sucesso, em si, não me diz nada, "eu quero saber é como vou chegar lá".
E você?
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Alguns pensamentos sobre a violência...
Nestes tempos tenebrosos, de desrespeito a Deus e à vida humana, convém ter claro algumas regras do que é possível e necessário fazer para abrandar a violência:
Ø não imaginar que a violência possa ser eliminada da vida humana;
Ø não julgar ser do Estado (autoridades, políticos e órgãos públicos) a responsabilidade única de vencer a violência – chega de paternalismos;
Ø não pensar que seja possível enfrentar a violência sem promover a justiça e a paz;
Ø não exigir que os indivíduos culpados devam ser punidos rigorosamente, ao mesmo tempo eximindo a sociedade de sua (grande) parcela de culpa;
Ø não imaginar que é possível acabar com a violência sem promover valores morais e espirituais;
Ø deixar a “família”, seus problemas, características, história e potencial, à margem do processo;
Ø hierarquizar o crime a tal ponto que “o jeitinho” e a “sem-vergonhice” brasileira – grandes mazelas da sociedade – deixem de ser combatidas, como “mal menor”;
Ø não lavar as mãos, dizendo “não roubo”, “não mato” e portanto “isso não é comigo”;
Ø não abanar as mãos para os céus, conformados, afirmando que “esse mundo não tem jeito mesmo, só Deus” e deixar o problema (e a responsabilidade) para Ele;
Ø e, finalmente, ler este “post” e pensar: “até que o Rubens escreve bonitinho...”
sábado, fevereiro 10, 2007
Dores de parto... inúteis.
Só estou escrevendo porque o analgésico me dá umas horas de alívio.
Dizem que tudo na vida tem um lado bom e um ruim. O ruim do cálculo renal eu já conheço - esta é minha quarta crise. Falta conhecer o lado bom...
E torcer pra essa crise passar logo. Vixe!!!
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Coyotes, letra da música
"Coyotes", by Bob McDill,sung by Don Edwards
“Grizzly Bear”, a Werner Herzog film soundtrack
"Was a cowboy I knew in south Texas,
His face was burnt deep by the sun,
Part history, part sage, part mesquit,
He was there when Poncho Villa was young.
And he'd tell you a tale of the old days,
When the country was wild all around,
Sit out under the stars of the Milky Way,
And listen while the coyotes howl.
And they go... hoo yip hoo yip hoo…
Now the long horns are gone,
And the drovers are gone,
The Comanches are gone,
And the outlaws are gone,
Geronimo is gone,
And Sam Bass is gone,
Outlaw in the old west,
And the lion is gone,
And the red wolf is gone.
Well he cursed all the roads and the oil men,
And he cursed the automobile,
Said this is no place for an hombre like I am,
In this new world of asphalt and steel.
Then he'd look off some place in the distance,
At something only he could see,
He'd say all that's left now of the old days,
Those damned old coyotes and me.
And they go hoo yip hoo yip hoo…
Now the long horns are gone,
And the drovers are gone
The Comanches are gone
And the outlaws are gone,
Now Quantro is gone,
Stan Watie is gone,
And lion is gone,
And the red wolf is gone.
One morning they searched his adobe,
He disappeared without even a word,
But that night as the moon crossed the mountain,
One more coyote was heard.
And he'd go, hoo yip hoo yip hoo…
hoo di hoo di yip hoo di yip hoo… "
Sai Wenders, entra Herzog
Na verdade, foi outro grande cineasta alemão, Werner Herzog que dirigiu o filme. Ele, aliás, já filmou - "Fitzcarraldo" - no Brasil, com José Lewgoy, Grande Otelo e outros brasileiros - até Milton Nascimento aparece!
Fica aqui a retificação.
sábado, fevereiro 03, 2007
Coyotes
Publico por ser linda e por falar da destruição de nosso ambiente selvagem - em andamento -, que precede a destruição do ambiente humano - a seguir.
Homenagem ao relatório da ONU sobre o aquecimento global.
Sucesso, medida de todas as coisas!
Continuei o meu caminho, pasmo. Alguns minutos depois percebi que meu incômodo provinha do absurdo alcance daquela frase e não dá quantidade disforme de músculos do modelo.
Meu Deus!!! Desde quando o que vale é o resultado??? Faz tempo. Acho que desde sempre. Mas houve um tempo em que havia certo pudor em se afirmar isto assim, na cara. Dizíamos: "o importante é competir, não ganhar"; "os fins não justificam os meios", e outras bobagens mais.
Agora, não. Nestes tempos pós-modernos, é chic dizer um absurdo desses. Afinal somos todos medidos pelo sucesso que obtemos, não?
E aqueles, coitados, que não são competentes o suficiente para aparecerem na revista Caras, refugiam-se na Gruta do Lou e torcem, também sem sucesso, para não serem muito notados...
No entanto eu, além de outros defeitos, sou teimoso. Continuo achando que "mais vale o esforço do que o resultado", "mais vale ser do que ter", "mais vale o conteúdo do que o continente"...
Mas isso são só devaneios de um quase idoso que não sabe das coisas.
Não precisa concordar comigo, viu?
Se fosse aqui...
Depois de uma reunião envolvendo o primeiro-ministro, ministros de estado e dirigentes da federação italiana de futebol, foi anunciada a suspensão por tempo indeterminado de todas as atividades do futebol profissional "até que tudo volte ao normal", segundo M. Platini, diretor da UEFA.
Será que no Brasil as autoridades teriam "peito" pra enfrentar uma situação dessas com medidas drásticas como essa?
Até prova em contrário, suspeito que não.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
"Diamantes de Sangue"
Fico feliz em viver no Brasil, apesar dos pesares. Poderia estar na Somália, ou ter vivido em Serra Leoa, em 1999... O filme me deixou inquieto, triste e aliviado ao mesmo tempo.
Inquieto, porque há tanto o que fazer pela humanidade sofrida deste mundo “globalizado” (palavra que, para mim, significa misérias multiplicadas e riquezas concentradas); coisas que são viáveis e que podem aliviar, pouco que seja, o sofrimento dos miseráveis - mulheres e crianças que morrem como moscas. E a gente ainda se preocupa com coisas tão mesquinhas e egoístas...
Triste, porque a ganância pelo dinheiro e poder é ilimitada e tem vencido, mesmo quando é aparentemente derrotada: há sempre alguém lucrando com o sofrimento alheio.
Aliviado, porque tenho sido poupado por Deus de tragédias como a do filme. Aliviado porque, assim como a jornalista e o africano - impotentes e jogados ao sabor dos acontecimentos – percebo que minhas atitudes e ações podem e tem causado o bem, vez em quando. Também porque, mesmo no mais ganancioso e egocêntrico dos homens - como o contrabandista mercenário – ainda brilha a centelha do amor divino, que pode brotar e frutificar quando menos se espera.
Hoje, dia 1 de fevereiro de 2007, ficarei às escuras, com aparelhos elétricos desligados, das 19:55 às 20:00 horas. É pouco, mas eu o farei... esperançoso.